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quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Critérios para uma instrução eficaz - Exercício Prático

Instruções: Forneça aos participantes amostras de materiais de cursos que sejam apropriadas aos respectivos contextos. (Se não dispuser de um acesso fácil a amostras de materiais de curso, a COL poderá assisti- lo na localização de pacotes apropriados.) Peça aos participantes que avaliem em que medida os materiais cumprem os critérios definidos nesta sessão. Esta tarefa pode ser repartida entre os participantes, com um critério por pessoa, dois ou três critérios por pequeno grupo, etc. O último critério (requisitos administrativos) não pode ser abordado desta maneira, mas o grupo pode ser convidado para um debate geral acerca dos tipos de problemas administrativos com que ele se depara no provimento de uma instrução eficiente aos respectivos alunos.

Tempo: Dê uma hora aos participantes para examinarem as amostras de materiais, consoante a dimensão destes e consoante a dimensão dos seus pequenos grupos. Acrescente mais 15 minutos ao tempo global para um debate geral acerca das conclusões a que chegaram.

Materiais: Deverá dispor de uma quantidade suficiente de amostras de materiais de curso para fornecer uma por cada pequeno grupo.

Listas de verificação para identificar uma instrução eficaz

Os critérios para a criação de materiais de curso eficientes aplicam-se, quer os cursos sejam presenciais, em salas de aula, quer sejam leccionados à distância.

Segue-se uma lista de verificação das perguntas a fazer acerca de qualquer curso, independentemente da maneira como ele é leccionado.

Lista de Verificação para Identificar uma Instrução Eficaz

Será que definiu claramente os seus objectivos de aprendizagem?
-
Será que você e os seus alunos têm uma ideia clara sobre a forma como esta sessão de ensino se enquadra no curso global?
- Será que você e os seus alunos têm uma ideia clara acerca do que se espera que eles tenham aprendido e do que deverão ser capazes de fazer depois de terem completado esta sessão de ensino?
- Será que identificou as condições em que os alunos deverão realizar a tarefa? Por exemplo, num exame, num exercício prático ou no respectivo local de trabalho.
- Será que identificou o nível a que os alunos deverão realizar a tarefa? Sem erros (por exemplo, tal como estudantes de farmácia que aprendem a contar comprimidos)? A níveis especificados (por exemplo, o que é necessário para se passar)?

Será que avaliou as necessidades dos alunos e concebeu o ensino tendo em mente as características e as necessidades dos seus alunos?
-
Que capacidades, conhecimentos e atitudes é que os seus alunos trazem para o curso?
- Que aspectos do respectivo enquadramento social, cultural e linguístico poderão afectar a respectiva aprendizagem?
- Porque motivo é que frequentam este curso? Por interesse? Ou porque devem passá-lo para continuarem no programa em que estão?

Será que sequenciou e segmentou o ensino de maneira apropriada?
-
Será que organizou os materiais de maneira lógica (por exemplo, do simples para o complexo, do concreto para o abstracto, do geral para os pormenores)?
- Será que utilizou organizadores de progressão em número suficiente para ajudar os alunos a estabelecerem o elo entre o que já aprenderam e o que vão aprender?
- Será que dividiu as aulas e outras actividades em segmentos de dimensão mais ou menos igual?
- Será que a dimensão de cada segmento é apropriada para o intervalo de atenção provável dos alunos?

Será que encorajou os alunos a interagirem com os materiais?
-
Será que faz perguntas frequentes e que, nos materiais, dá aos alunos um espaço onde podem escrever as respostas?
- Pede-lhes que façam uma pausa e reflictam nas respectivas experiências?
- Dá-lhes oportunidades para praticarem os conhecimentos que lhes estão a ser ensinados?
- Pede-lhes que recordem as matérias sobre as quais trabalharam recentemente?
- Sugere- lhes que falem com alguém acerca da questão suscitada, por exemplo, com um colega, com um familiar ou com o respectivo tutor?

Será que fornece um feedback frequente aos alunos acerca da eficiência com que compreendem os materiais ou realizam alguma capacidade?
-
Será que fornece modelos de respostas às perguntas que faz?
- Será que sugere os sítios em que podem encontrar as respostas por eles próprios?
- Será que sugere pessoas com que podem falar para encontrar as respostas?
- Será que lhes indica que se trata de uma pergunta com várias respostas possíveis, de tal modo que não se sintam frustrados por não terem encontrado uma resposta?

Será que lhes proporciona motivação para continuarem a progredir no curso?
-
Será que, na fase inicial do curso, lhes manda realizar um exercício ou trabalho em que possam ter êxito, de maneira a dar- lhes confiança e incitá-los a progredir?
- Tece comentários construtivos acerca do trabalho dos alunos, premiando o que foi bem feito, e indicando- lhes meios para melhorar?
- Será que os incita a relacionarem o que estão fazer no curso com a vida de todos os dias, de tal modo que sintam a relevância e o significado daquilo que fazem?
- Será que mantém uma carga de trabalho razoável, para que os alunos consigam realmente efectuá-lo durante o tempo previsto para o realizar?

Será que ajuda os alunos a identificarem e a desenvolverem as respectivas capacidades e conhecimentos, para que as possam transferir e utilizar neste novo contexto?
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Será que integrou, no curso, actividades que ajudam os alunos a identificarem o que já conhecem e que já são capazes de fazer relativamente ao tema que lhes está a ser ensinado (por exemplo, pré-testes, testes de diagnóstico, revisões da aprendizagem anterior)?
- Será que incita os alunos a procurarem oportunidades para aplicarem as capacidades e os conhecimentos que estão a adquirir a problemas e situações exteriores ao curso?

Será que fornece os materiais do curso num media apropriado ao tema e às capacidades dos alunos que utilizam esse media?
-
Será que fornece, quando possível, uma variedade de media, de tal modo que os alunos possam, por exemplo, beneficiar tanto com materiais sonoros, como com os materiais visuais?
- Uma imagem, dizem, pode valer mil palavras. Será que utiliza ilustrações, desenhos, bandas desenhadas e outros materiais visuais para ajudar a transmitir os conhecimentos?
- Será que tem em conta que os alunos podem ter fracas capacidades de leitura quando utilizam material impresso, ou que precisam de aprender a utilizar um determinado programa informático para participarem efectivamente numa conferência por computador?
- Será que os seus materiais impressos são convidativos e legíveis? Será que os seus materiais áudio e vídeo estão bem concebidos?

Será que fornece oportunidades, atempadas e apropriadas, para que os alunos possam avaliar até que ponto entendem os materiais?
-
Fornece perguntas de auto-avaliação, juntamente com cada unidade e com um feedback apropriado, de tal maneira que os alunos possam verificar os conhecimentos que adquiriram?
- Fornece oportunidades para que os alunos obtenham feedback de outros acerca do respectivo progresso, por exemplo, a partir de trabalhos classificados pelo tutor?
- Será que os trabalhos do curso dão uma oportunidade aos alunos de porem em prática as suas capacidades ou de aplicarem os conhecimentos directamente ligados aos objectivos de aprendizagem?
- Será que os trabalhos permitem que os alunos pratiquem e desenvolvam as capacidades de que irão necessitar para passar no exame?

Tem os seus processos administrativos em ordem?
-
Será que os alunos recebem, realmente, os materiais no momento em que precisam deles?
- Será que recebem todos os materiais de que precisam para completarem o curso?
- Se assim não for, será que têm um acesso imediato aos outros materiais de que precisam?
- Será que os alunos sabem quem contactar se tiverem um problema?
- Será que conhecem quantos trabalhos deverão efectuar? Ou quando deverão efectuá- los? Ou que dimensão devem ter? Ou, ainda, para onde devem enviálos?
- Será que sabem onde e quando o exame se vai realizar? Quanto tempo irá durar? Que forma terá? E quais os tipos de perguntas para as quais se devem preparar?
- Será que as perguntas dos alunos são respondidas rapidamente? Será que os respectivos trabalhos são classificados e devolvidos rapidamente?

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Modelos de Desenho Instrucional (Parte 1 de 2)

O que fazem os desenhadores instrucionais?
O desenhador instrucional trabalha em colaboração com o especialista na matéria, também chamado conteudista, para desenhar materiais que facilitam a respectiva aprendizagem. (Este material baseia-se no artigo de Noel Jackling, ‘Weaving my own design’, in M. Parer (ed.), Development, design, and distance education (1989).)

Recomenda-se que o desenhador instrucional consulte o especialista na matéria da seguinte forma:

· considerando o especialista na matéria como um perito sobre o tema;
· escutando o que o especialista na matéria diz;
· dando feedback ao especialista na matéria (por exemplo: “Se fosse estudante, a minha resposta seria…”);
· procurando esclarecimentos;
· encorajando no vas ideias (por exemplo: “Já pensou ...?”);
· perguntando ao especialista na matéria: “Quais são os resultados pretendidos?”;
· extraindo a sabedoria tradicional de ensino a partir de uma disciplina específica e respeitando-a; e,
· mantendo, como preocupação principal, o que é melhor para o aluno.

Atitudes não recomendadas no relacionamento entre o desenhador instrucional e o especialista na matéria:

· consultor externo;
· perito de processos;
· paternalista (alimentar, à colher, o especialista na matéria)
· colonialista (encorajar o especialista na matéria, sem nunca lhe dar qualquer independência);
· pregador (pregar valores ao especialista na matéria);
· instrutor (considerar o especialista na matéria como um aprendiz);
· remediar os defeitos do especialista na matéria;
· prescrever métodos de ensino para determinados temas; e,
· conselheiro centrado no cliente.

Tarefas de um desenhador instrucional
O desenhador instrucional funciona como um “aluno virtual”, que interroga o especialista na matéria com perguntas que seriam colocadas por um aluno, por exemplo:


· Estou a perceber ou estou baralhado?
· Existe uma ambiguidade?
· Será que existe um percurso de aprendizagem claro?
· De onde venho?
· Para onde vou?
· Estarei a transformar-me de aluno crédulo em perito?
· Será que um exemplo me ajudaria a perceber?
· Será que um exercício me ajudaria a aprender através da prática?
· Será que considero que o redactor está a escrever para mim, pessoalmente, ou será que o redactor está a ser impessoal e desnecessariamente “académico”?
· Será que me sinto afastado de todo o tema por causa da dificuldade do primeiro item de avaliação?
· Será que me sinto afastado por causa do estilo de escrita ou da utilização de palavras caras e de frases desnecessariamente compridas? Será possível dizer, mais simplesmente, o que está a ser dito?
· Será que estou a receber indicações acerca das partes que são realmente importantes?
· Será que a estrutura é aparente? Será que os organizadores de progressão foram sinalizados?


Métodos construtivistas para o desenho instrucional
A maior parte dos livros de estudo sobre desenho instrucional mencionam métodos “objectivistas”, que se prendem, principalmente, com a transmissão de conhecimentos e com a facilitação do processo de aprendizagem desses conhecimentos.


Pelo contrário, os métodos construtivistas do desenho instrucional colocam os alunos e os conhecimentos que eles trazem à situação de aprendizagem no centro do desenho instrucional. Estes métodos baseiam-se nos princípios seguintes:


· Os alunos são uma fonte legítima de conhecimentos. Os alunos são encorajados a aprender a confiar neles próprios e nos respectivos conhecimentos.
· A aprendizagem não é um exercício passivo de absorção de conhecimentos (informações) desenvolvidos e transmitidos por “peritos”. Os alunos são encorajados a tomarem o controlo e a iniciarem a própria aprendizagem.
· A ambiguidade e a contradição não constituem problema. Podem ser úteis para incitar uma aproximação em termos de resolução e de colocação de problemas na aprendizagem.
· Uma reflexão sistemática constitui uma actividade essencial para que a experiência facilite uma compreensão mais profunda.

Debate: Debata exemplos de colaboração eficiente entre os desenhadores instrucionais e os especialistas na matéria, a partir da sua experiência e das experiências dos participantes.

Publicado por: The Commonwealth of Learning e Asian Development Bank

terça-feira, 29 de abril de 2008

Princípios do Desenho Instrucional


Um bom desenho instrucional nada mais é do que um bom ensino. Os bons professores tendem a seguir as mesmas orientações. Será que os seus participantes concordam com a lista seguinte?
Considerações preliminares
Antes de iniciarem uma lição, os bons professores consideram:

· as capacidades prováveis dos respectivos alunos;
· o nível de instrução dos alunos;
· o respectivo nível actual de conhecimentos;
· o respectivo enquadramento social e cultural; e,
· a motivação e interesse que manifestam.

Definir as tarefas
Nessa base, os bons professores definem, em seguida:

· a tarefa final e global dos alunos;
· as principais componentes dessa tarefa;
· as condições ao abrigo das quais cada tarefa componente será realizada; e,
· o nível de desempenho pretendido para cada tarefa.

Análise das tarefas
Em seguida, os bons professores analisam cada tarefa componente:

· eliminando as tarefas que os alunos já são capazes de realizar;
· seleccionando as tarefas mais importantes e críticas; e,
· indicando o que os alunos serão capazes de fazer ou de realizar em resultado da lição.
Estruturação da lição
Para que uma lição seja eficaz, o professor deve:

· partilhar os objectivos da lição com os alunos; e,
· ensinar seguindo uma ordem lógica, utilizando um esboço de lição como o que se segue :

Exemplo de Esboço de Lição

A. Introdução
1. entregar os materiais
2. analisar a aprendizagem anterior
3. motivar, tornando-a
a. breve
b. relevante
c. estimulante (por exemplo, colocar uma questão)
B. Corpo principal da lição
fornecer informação
utilizar pequenos passos
interromper frequentemente para fazer perguntas e tecer comentários
utilizar auxiliares de ensino
a. para ilustrar
b. para simplificar
c. para variar os temas
d. para dar oportunidades de prática e de feedback
e. para resumir
f. para fornecer oportunidades para referência futura
fazer planos de contingência para
a. o que fazer com qualquer tempo extra
b. determinar quais os itens essenciais se houver falta de tempo
C. Conclusão
tratar dos pontos difíceis
resumir
mencionar o conteúdo e a relevância da lição seguinte
testar
a. na aula
i. fazer perguntas a toda a aula
ii. ser claro e exacto
iii. pedir uma resposta breve
iv. encorajar
v. evitar embaraçar os alunos
b. depois da aula, avaliar
i. se deve alterar algo na maneira como ensinou a lição
ii. se conseguiu o que pretendia.

Durante a lição
Quando ensinam, os bons professores têm o cuidado de:

· comunicar claramente;
· organizar correctamente;
· estabelecer a ligação entre a aprendizagem anterior e a actual;
· encorajar os alunos a participarem;
· facultar prática e oportunidades de praticar;
· evitar a monotonia;
· fazer destaques;
· demonstrar o seu próprio interesse;
· utilizar auxiliares de ensino eficazmente;
· reiterar os pontos importantes;
· fazer perguntas; e,
· manter-se flexíveis.

Debate: Será que os seus participantes concordam com esta lista? Em que pontos é que estas orientações diferem quando são aplicadas ao ensino aberto e à distância?
Publicado por: The Commonwealth of Learning e Asian Development Bank

terça-feira, 22 de abril de 2008

Introdução ao Desenho Instrucional

Ao descrevermos alguns modelos de desenho instrucional, começamos por descrever algumas das tarefas realizadas e os papéis desempenhados pelo desenhador instrucional.
O que é o desenho instrucional?
O desenho instrucional consiste num método sistemático para facilitar a aprendizagem:
· identificando os fins da aprendizagem, mais especialmente os objectivos deaprendizagem;
· desenvolvendo as experiências de aprendizagem necessárias para alcançar esses fins;
· avaliando a eficácia de algumas experiências de aprendizagem para alcançar esses fins; e;
· melhorando as experiências de aprendizagem, à luz da avaliação, de modo a atingir melhor esses fins.

Porquê utilizar o desenho instrucional?
Uma maneira de explicar a razão pela qual o desenho instrucional é especialmente importante no ensino aberto e à distância, consiste em descrever algumas das diferenças entre o ensino convencional presencial e o ensino à distância.
No ensino convencional presencial
Os professores podem
· decidir quais os métodos e meios que irão utilizar; e,
· alterar os métodos e as estratégias em função das necessidades dos alunos.
No ensino aberto e à distância
Um pré-planeamento completo torna-se essencial, porque:
· a questão de saber “como ensinar” torna-se crucial para êxito de todo o sistema;
· os materiais de ensino são preparados adiantadamente;
· os media para apoiar esses materiais são pré-seleccionados; e,
· as alterações aos materiais não podem ser convenientemente integradas a meio da sessão.
O desenho instrucional consiste, precisamente, na actividade necessária de pré--planeamento.
Debate: Trata-se de um momento oportuno para realizarum debate inicial acerca das diferenças entre aaprendizagem predominantemente presencial e aaprendizagem predominantemente à distância.
Publicado por: The Commonwealth of Learning e Asian Development Bank